Se eu não perdoar os outros, isso significa que meus pecados não serão perdoados?

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Mateus 6 não ensina que nosso destino eterno se baseia em perdoarmos outras pessoas; no entanto, ensina que nosso relacionamento com Deus será prejudicado se nos recusarmos a perdoar aqueles que nos ofenderam. A Bíblia é clara que Deus perdoa o pecado por Sua graça com base na obra de Cristo na cruz somente, não nas ações do homem. Nossa posição correta diante Dele é estabelecida em apenas uma coisa – a obra consumada de Cristo (João 3:16; 1 João 2:2; 1 João 4:10). A penalidade pelo pecado que é nosso por direito é paga por Cristo, e nós a obtemos pela graça por meio da fé, não por quaisquer obras de justiça nossas (Efésios 2:8-9). Ninguém será capaz de ficar diante de Deus exigindo que seus pecados sejam esquecidos simplesmente porque ele perdoou os outros. Somente quando nascemos de novo e recebemos uma nova vida através do Espírito de Deus pela fé em Jesus Cristo, nossos pecados são perdoados. Portanto, Jesus não está se referindo ao ato inicial de perdão de Deus (reconciliação) que experimentamos quando cremos no Evangelho pela primeira vez.




Ele está se referindo à purificação diária que obtemos quando confessamos nossos pecados para restaurar a comunhão com nosso Pai celestial – a comunhão que é interrompida pela mancha diária do pecado que afeta a todos nós. Esta não é a limpeza total do pecado que vem com a salvação pela graça através da fé, mas é mais como o lava-pés que Jesus descreve em João 13:10. Todo o corpo está limpo, disse Ele aos discípulos, mas seus pés estavam sujos por andarem no mundo. O perdão neste sentido é o que Deus ameaça reter dos cristãos que se recusam a perdoar os outros.

Em Mateus 6, Jesus está ensinando os discípulos a orar e, ao fazê-lo, descreve como somos restaurados à intimidade com Deus sempre que O desagradamos. Na verdade, Jesus nos instrui a construir em nossas orações um pedido para que Deus nos perdoe da mesma forma que perdoamos os outros que nos prejudicaram (Mateus 6:12). Se há aqueles que não perdoamos quando oramos por perdão, então, na prática, estamos pedindo a Deus que não restaure um relacionamento correto conosco depois de pecarmos. Para enfatizar a importância de restaurar relacionamentos rompidos com nossos irmãos e irmãs, Jesus afirma que pedir perdão a Deus pelos próprios pecados, ao mesmo tempo em que retém o perdão de outra pessoa, não é apenas bizarro, mas também hipócrita. Não podemos andar com Deus em verdadeira comunhão se nos recusarmos a perdoar os outros.



Certamente, um espírito que não perdoa é um pecado grave e deve ser confessado a Deus. Se não temos perdão em nossos corações contra outra pessoa, estamos agindo de uma maneira que não agrada a Deus, dificultando nossas orações e um relacionamento vivo adequado com Ele. Deus não ouvirá nossas orações a menos que também nos mostremos prontos para conceder o perdão. Para citar João Calvino neste versículo: Se não formos mais duros que o ferro, essa exortação deve nos suavizar e nos tornar dispostos a perdoar ofensas ( Comentário sobre Mateus, Marcos e Lucas , Vol. 1).



Uma segunda interpretação biblicamente plausível de Mateus 6:14-15 é que está dizendo que qualquer um que se recusa a perdoar os outros está demonstrando que ele mesmo não recebeu o perdão de Cristo. Qualquer pecado cometido contra nós, não importa quão terrível seja, é trivial em comparação com nossos pecados contra Deus. Se Deus nos perdoou tanto, como podemos nos recusar a perdoar os outros por tão 'pouco'? Mateus 6:14-15, de acordo com essa visão, proclama que qualquer um que não tenha perdoado os outros não experimentou verdadeiramente o perdão de Deus. Ambas as interpretações negam fortemente que a salvação dependa de perdoarmos os outros. Se Mateus 6:14-15 está falando de 'perdão relacional', ou se é uma declaração de que a falta de perdão é a marca de um incrédulo, a verdade central é a mesma. Devemos perdoar os outros porque Deus, por meio de Cristo, nos perdoou (Efésios 4:32). É errado alguém que realmente experimentou o perdão de Deus se recusar a conceder perdão aos outros.

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